Você, caro leitor, deve estar penando com a falta de chuvas, como todos nós. Uma secura danada, que nos obriga a molhar toalhas e pendurá-las na cabeceira da cama à noite, amenizando o calor.
O que acho que você não sabe nobre leitor, é que o nosso país exporta água! Vou explicar melhor.
Nosso país exporta água virtual, o que é ainda mais interessante.
Água virtual é a quantidade de água doce incorporada, direta ou indiretamente ao processo produtivo de cada bem, mercadoria ou serviço, destinados ao consumo humano, estabelecendo uma relação entre gestão da água e o comércio, ensina Arjen Hoekstra, professor de Gestão de Águas da Universidade de Twente, na Holanda.
Desse modo, só para que você tenha uma idéia do que significa exportar água, no ano de 2005, o Brasil exportou o equivalente a 50 bilhões de metros cúbicos de água virtual somente com o processamento da soja exportada!
O Brasil é hoje um dos dez maiores países que mais exportam água virtual para o mundo! E ainda, para cada quilo de cana-de-açúcar produzido em nossa região, em média são consumidos trezentos e dezoito litros de água.
Para a produção de um litro de álcool combustível, são consumidos treze litros de água. Mas, a cada litro de etanol produzido, “sobram” dez a treze litros de vinhoto, um veneno que contamina rios, lençóis freáticos e o meio ambiente em geral.
Sabemos que a água é um bem renovável, porém limitado ou, segundo alguns, finito. Isso quer dizer que, embora exista em abundância em um planeta equivocadamente denominado “Terra”, seu ciclo vem sendo comprometido pela ação irresponsável e indiscriminada do homem.
Desse modo, uma preocupação emergente em nível mundial é a elaboração de parâmetros para delimitar as chamadas externalidades negativas ambientais, ou seja, as conseqüências negativas do uso dos recursos naturais.
Assim, seria possível compreender o fenômeno, informar e educar a sociedade, responsabilizando empresas e indivíduos pelas ações prejudiciais ao meio ambiente, evitando que o lucro de uns torne-se o prejuízo de toda a sociedade.
*Professor, advogado e palestrante, desculpando-se pelo tom demasiadamente sério do artigo desta semana: deve ser o calor!

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