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terça-feira, 7 de setembro de 2010

DESORIENTE-SE (resenha de livro) Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

Estou terminando a leitura do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch. (a propósito, o sobrenome do autor parece um blend perverso entre Loki, entidade nórdica da intriga e da discórdia, e Morloch, o vilão aposentado e canceroso do gibi Watchmen...). Começando pela capa, uma sugestiva colagem de personas da História do Brasil, em uma moldura que me parece, foi inspirada na capa de Sargent Pepper's, dos Beatles.

O livro é um tanto divertido. Segue a linha do clássico A Invenção das Tradições, de Eric Hobsbawn - que Leandro critica, diga-se de passagem, ou ainda As Falsificações da História (Adam Schaff? Não me lembro exatamente a autoria; quem puder me ajudar, lembra aí!).

É uma espécie de "almanacão" de construções literárias e acadêmicas de passagens, fatos e personagens essenciais da construção da(s) identidade(s) brasileira(s), como o samba, a feijoada, a Guerra do Paraguai, Aleijadinho e outros.

Ainda bem que não tem o autor pretensões professorais ou doutrinário-ideológicas, sendo capaz de até rir de suas próprias conclusões e referências culturais, como no caso do Blanka, dos videogames.

Nem todas as ideias e conceitos trazidos pela obra são novidade, ao menos para o público ligado na temática.

Mas sua grande virtude (no sentido maquiaveliano da palavra) é reunir em uma só obra argumentos de desconstrução dos monstros sagrados do panteão nacional espalhados em teses, monografias e notícias de jornal ao longo dos últimos vinte ou trinta anos.

Mas, um senão poderíamos levantar aqui: apesar de seu esforço crítico, não estaria o autor criando, mesmo que inadvertidamente, uma nova mitologia?

Lembro-me agora de um outro Leandro, professor de História da América em meu curso de graduação em História, lá em meados dos anos 1980, na Universidade Federal de Uberlândia. Perguntei a ele uma vez o que pensar do mundo após uma leitura razoavelmente atenta de Michel Foucault. Se "tudo o que é sólido desmancha no ar", o que restaria depois da desconstrução de fatos e argumentos?

E ele me respondeu, simplesmente: mas, é preciso sobrar alguma coisa a não ser as ruínas?

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