A Felicidade não se Compra (It’s a Wonderful Life) é um clássico do cinema de todos os tempos. Produção norte-americana de 1946, direção de Frank Kapra e bela atuação de James Stewart, um dos atores icônicos de Hitchcock.
Em Bedford Falls, cidadezinha do interior dos EUA, às vésperas do Natal, George Bailey (James Stewart), pensa em se matar saltando de uma ponte. Durante toda a sua vida, ele abdicara de estudo e viagens, em favor do irmão mais novo e da continuidade dos negócios da família, após a morte do pai.
Emprestando dinheiro a operários que queriam comprar casa própria, enfrenta sempre a ganância de Henry Potter (Lionel Barrymore), o homem mais rico da região.
Cansado de lutar contra o vilão e muito endividado, George resolve tirar a própria vida. Mas tantas pessoas rezam por ele que Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é mandado a Terra, para tentar fazer George mudar de idéia.
As lojas e shoppings vêm nos lembrando do Natal a partir do mês de agosto. Desde então já colocaram à venda todos os tipos de enfeites, made in China. Tudo muito over , como manda o figurino da sociedade de consumo.
Essa época do ano explicita nossa esquizofrênica incapacidade de equacionar consumo de curto prazo e sustentabilidade de longo prazo. Como se sabe, e já abordado anteriormente, sustentabilidade é conceito constitucionalizado e pressupõe capacidade de gerar bem estar para as atuais e futuras gerações humanas em condições de equilíbrio.
No entanto, o fenômeno do super-consumo pode ser verificado em níveis macro e micro cada vez com maior intensidade, com o consequente desperdício, que nem é percebido enquanto tal. Aliás, o super-consumo é resultado de superprodução, que equivale a desperdício!
Os super-consumistas tornam-se superendividados. Em nível micro, “devo não nego, pago quando puder”. Tratamentos psicológicos, ajuda de familiares. Projetos de diversos Tribunais de Justiça no Brasil tentam equacionar o problema. Seria de fundo moral? Seria algum tipo de síndrome? Tem remédio?
Ainda não existem respostas conclusivas, mas o problema já foi constatado.
Em nível macro: o consumo perdulário é problema moral das sociedades humanas? Estamos todos doentes? A criação de um “Tribunal Internacional de Proteção à Sustentabilidade” traria as soluções viáveis e necessárias?
Afinal, “Essa é uma Vida Maravilhosa” ou “A Felicidade não se Compra”? O personagem de James Stewart no filme em comento tem a chance de voltar ao passado e acompanhar a vida de sua cidadezinha em uma linha de tempo alternativa. Nela, sem a presença do mocinho, o vilão se apoderou da cidade, transformando-a em uma pocilga.
A alternativa, no filme, é encarar o problema e solucioná-lo. George Bailey sobrevive, a cidade comemora. Os dias seguintes serão difíceis, mas quem tem amigos não está desamparado jamais.
A nossa alternativa? Educação ambiental, educação para o consumo. Educação. Exemplo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário