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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

DE PESCADORES E DE INVASORES DE CORPOS




Invasores de Corpos (Invasion of the Body Snatchers) é produção norte-americana de 1956, dirigido por Don Siegel. Existe uma refilmagem de 1978, por Philip Kaufmann, muito inferior ao original.

É a história de uma invasão extraterrestre silenciosa, nada convencional.

Sementes espaciais caem abundante e aleatoriamente em território norte-americano. Parasitas, esperam pela noite para atacar os seus hospedeiros humanos.

Ligam-se às vítimas por hastes semelhantes às gavinhas das trepadeiras, insidiosamente. 


Madrugada adentro, drenam lentamente a energia vital dos corpos invadidos, (na infeliz tradução brasileira – melhor seria dizer corpos capturados, ou roubados), preenchendo uma vagem com uma cópia perfeita do corpo humano roubado.


Ao nascer do dia, dos humanos parasitados sobra apenas uma embalagem vazia, uma pele sem corpo, uma casca sem alma.

São cópias mais-que-perfeitas dos humanos substituídos, e trabalham em sintonia de colméia para espalhar novos casulos pela cidade. Perderam sua individualidade, sendo agora verdadeiros membros de uma coletividade desprovida de personalidade, comunicando-se por gritos-chiados.

Invasão silenciosa, insidiosa, a emular a paranóia anticomunista dos anos da Guerra Fria, período que contextualiza a versão original, de 1956.

Na versão de 1978, o pretenso herói da fita, interpretado pelo canadense Donald Sutherland – soberbo, é uma espécie de Seu Lineu da série de TV A Grande Família. Ou seja, é um fiscal da saúde pública.

Transportando o tema para os dias que correm, deixando de lado a histórica e sociologicamente superada paranóia anticomunista, o que resta? Não seria apenas a nostalgia das distopias de ficção científica.

De fato, restam ao menos duas metáforas.

A primeira e mais perceptível de imediato, traduz-se naquilo que os marxianos – os leitores de Marx, poderiam denominar como alienação, condição dos que estão separados de sua essência humana, sua personalidade, sua condição de pertencer simultaneamente a um tempo histórico, a uma classe social e a uma realidade racionalmente considerada.

A segunda, como subtexto e leitura complementar, projeta-se ainda e mais uma vez como crítica do desequilíbrio ecológico, nos parâmetros já anteriormente indicados nesta coluna: a parte não será maior que o todo, por mais pretensão que tenha. Assim, em uma espécie de vingança da “Mãe Natureza”, o Reino Vegetal herdaria o planeta, ou no mínimo dispensaria a companhia da humanidade.

A síntese perfeita dessas duas possíveis e sombrias conclusões, eu tive o desconforto de vivenciar neste final de semana prolongado pelo feriado republicano.


Em rancho de pescaria, vai-se para descansar dos sons, cores e ritmos da cidade. Para acordar às cinco e meia da manhã no breu do horário de verão, descer ao tablado e descansar a mente na ponta de um caniço de pescaria. Se o peixe visita a isca, devolvemos a gentileza indicando-lhe o caminho de casa.

Infelizmente, nos ranchos de pescaria também existe vizinhança sem noção.

Carregam para a beirada do rio o desvario da cidade, reunindo-se em frente a um aparelho de TV ligado em volume máximo para assistir a um assim chamado reality show genérico produzido por uma rede de televisão genérica, que, por incrível que pareça, tem como cenário uma propriedade rural

Nessas horas até esperamos por uma Revolução Vegetal, verdadeira revanche verde, nos moldes do Jacobinismo republicano da Revolução Francesa!




Weber é advogado militante, professor universitário e pescador bissexto, contrariado com a moçada que desperdiça o feriado alheio com barulho importado da cidade.


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